Trinta e poucos... 

“35 anos”

Então tá. Chegou aquele momento em que me olho no espelho e encontro insistentes cabelinhos brancos arrepiados crescendo para cima, suaves linhas de expressão ao redor dos olhos, olheiras profundas e arroxeadas e duas espinhas no nariz. Um charme só.
Sim, cheguei aos 35. O que será que essa idade tem de tão importante?
Tento me comparar com a minha mãe. Lembro vagamente dela na casa dos 30. Na minha mente, ela parecia ser uma “mulher” de verdade, já que usava roupas esvoaçantes, ombreiras, cabelos armados, sombras nos olhos, meia fina, salto alto e muitos acessórios. (E eu, que me julgo tão mocinha, com a mesma idade que ela tinha, ainda insisto em usar o bom e velho jeans…)
Minha mãe tinha um grupo de amigas do lanche, onde tricotavam, trocavam receitas, falavam mal dos maridos e tudo mais. Parecia um sarau (nossa, que termo antigo). Ela tinha uma caligrafia linda. Ela nos levava ao colégio, ao ballet, ao judô, à natação, tudo com maestria, garantindo sempre o almoço na mesa e o bem estar de todos.
E eu, que sempre fui o bebê da casa, paparicada…cresci….e virei a tal “mulher”. Não aquela de ombreiras, é claro, mas uma pessoa cheia de responsabilidades. Confesso que não foi fácil essa transição. Ainda gosto de ser chamada de “moça” pelas vendedoras. Às vezes, juro que ainda visto manequim 38. O choque mesmo aconteceu esse ano, quando brincava com minha filha na piscina. Lá estava eu, toda feliz, dando cambalhotas e plantando bananeiras na água, quando uma menina de nove anos de idade olha para mim e me chama de “tia”! Tia?? Oi? Confere, produção?
Quer saber? Estou adorando essa nova fase e não troco por nada! Finalmente me aceitei como sou, super sincera. Na verdade, sou meio sem noção, do tipo que fala na lata, que perde o amigo, mas não a piada, sabe? A vida adulta me mostrou que não vale a pena dar tanta importância para pessoas que vivem de aparências. Já fui uma tentativa-frustrada-de-patricinha, já fui grunge, já deixei meus pais de cabelos em pé, sempre tentando ser o que eu não era. Acho que ainda estou me encontrando nesse processo todo, vendo meus erros e acertos no olhar dos meus próprios filhos.
Sim, tenho 35 anos, muito bem vividos, sim Senhor! E se Deus quiser, serei aquela velhinha de jaqueta de couro andando de motocicleta e pulando de bundge jumping por aí! Me aguardem!

 

Vivian Rocha Loures

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Advogada, 35 anos.

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