Trinta e poucos... 

CROMOSSOMO X

Tristeza não é exclusividade feminina, mas adora um cromossomo X.

Talvez porque na mulher qualquer deprezinha vire um tiranossauro rex.

Tristeza de mulher é feroz e vem com um combo de fábrica: choro, cartão de crédito, massa de brigadeiro e corte de cabelo. E na tristeza, a mulher perde a noção do limite disso tudo. Aí gasta demais, come demais, repica demais. E chora demais quando vê a grande meleca que fez – lá se vai mais um mês com a autoestima em pedaços.
Tristeza de mulher não é tristeza qualquer. Exige rímel borrado e ao menos uma unha roída. E dispensa outras maquiagens, porque legal mesmo é que o mundo perceba seu sofrimento. Mulher triste quer ombro, colo e principalmente, ouvidos. Se rolar um buquê de flores, melhor. Para os pobres homens que têm que conviver com isso, uma dica: aguentem firme, não pulem do barco, porque no mar as sereias choram do mesmo jeito.

 

Alessandra Leoni

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Alessandra Leoni, libriana de nascimento, publicitária de formação, cantora de banheiro e viajante amadora. Esse negócio de escrever começou de forma natural, talvez impulsionado pela necessidade de me libertar da pressão e dos prazos carrascos da minha profissão. Colocar um ponto final sem ter que contar com a aprovação do cliente é muito, muito excitante. E nessa fui escrevendo, inspirada pelo meu cotidiano repleto de presepadas e de humor ácido. Escrevo sobre pessoas, coisas que ouço e vejo. Escrevo sobre qualquer coisa que me toque e assim vou tocando amigos e amigos dos amigos. Embora escrever seja meu relax solitário, também é, sem dúvidas, meu antídoto contra qualquer  solidão.

 

Ilustração: Anna Lazareva http://annalazareva.com/?cat=1

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