Trinta e poucos... 

Kit Problema

Depois de uma certa idade, é muita ingenuidade achar que você vai encontrar aquele homem solteiro, lindo, maravilhoso, inteligente e … sem filhos. O mercado já está escasso e pedir que ele apareça sozinho, sem nenhum complemento, é realmente pedir demais.

 

Eles também rodaram por aí (e muito) e podem ter andado espalhando sementinhas pelo vento. Digo, ventre alheio. Mas na hora daquela paixão fulminante e arrasadora, você acha que ele ter filhos é a coisa mais adorável do mundo.

Quando o rolo passa para namoro e o Deus grego decide finalmente te apresentar aos filhos, de repente você vira a pessoa mais legal do mundo. Os meninos ficam impressionados como você consegue jogar xbox bem e as meninas acham o máximo as suas roupas e aquele batom maravilhoso. Afinal, a mãe da gente é sempre meio careta.

 

Tudo vai indo bem, muito bem, até que o pai destes anjinhos adoráveis decide colocar uma aliança no seu dedo. E aí, depois da lua-de-mel, a namorada mega-hiper-super legal vira madrasta. O problema é que no dia a dia, a madrasta vai querer que os enteados provem aquela torta deliciosa de espinafre daquele restaurante transado, liberem a televisão para ela assistir aquele documentário estrangeiro premiado ou ainda – este é o pior de tudo – que os anjinhos vão para a cama cedo. A cama deles. Afinal, quem quer ter uma noite de princesa com o pai deles é você.

 

Não, não é nada fácil. Como dizia uma amiga minha “Homem com kit problema? Tô fora”. Eu mesma, no meu primeiro relacionamento, ganhei no pacote do véu e grinalda duas crianças adoráveis. Adoráveis mesmo. Sem ironia. Mas elas achavam o máximo a “namorada”. Quando bateu a meia-noite e eu me tornei a madrasta da Cinderela, raios e trovões caíram sobre o conto de fadas.

 

Mas não foi por isso que tudo acabou. Jurei de pé juntos que, com kit problema não rolava mais. Até que pintou na minha vida um carioca de beijo macio que me fez pagar a língua. “Vou visitar meu filho no Rio este fim de semana …”. Filho, como assim???? Eu jurava que ele era solteiro!

E desde lá já se vão mais de dez anos. Com kit problema e tudo. Tá bom. Meu enteado não é problema. Pelo contrário, se transformou num dos cara mais doces e bacanas que conheço.

 

Susana Camargo, jornalista

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Nunca tive a mínima dúvida sobre o que queria fazer na vida: escrever. Escrevi para rádio, televisão, revista e sites. Sou daquelas que adora ficar ouvindo conversa na mesa ao lado do restaurante ou vendo despedidas em aeroporto. História é para ser contada. E recontada. Às vezes me acho meio louca quando penso num título enquanto estou dirigindo ou então naquela abertura de texto durante a chuveirada. Ao longo da vida descobri minha segunda paixão: viajar! Acho que sou uma típica geminiana: inconstante, curiosa e inquieta. Atualmente me sinto mais como uma malabarista. Mãe, dona de casa, esposa, jornalista freelance e mulher.

 

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