Aplausos 

Mataveri para ver o mundo

A lenda do Curupira vai encerrar o projeto Brinque – Lendas Brasileiras e será a terceira montagem assinada pela Mataveri Cultural. A trupe de Daniel Valenzuela já contou em verso e poesia a história do boto que se transforma em homem e, iluminando as invernadas do folclore gaúcho, apresentou o lúdico e intenso espetáculo Negrinho do Pastoreio.

 

Ator, produtor e criador da Mataveri Cultural, um espaço criativo e democrático. Daniel Valenzuela, nosso entrevistado do mês, participou como ator e intérprete de diversos espetáculos de teatro e dança, bem como foi diretor de produção de espetáculos cênicos e festivais.

 

Como foi sua entrada no mundo cultural? A paixão pelo teatro vem desde a infância?

Comecei a fazer teatro em 2005 enquanto cursava a faculdade de Direito. A atração pelas artes cênicas vinha da adolescência, quando tive mais contato com as produções locais e também descobri o Festival de Teatro. Depois de passar por 2 cursos aqui na cidade, encontrei o Pé no Palco, que foi o lugar que me recebeu de braços abertos e me ensinou muito do que eu sei sobre o fazer teatral. Lá pude me desenvolver como artista e encontrar a minha poética para a criação dos meus próprios trabalhos.

 

Ao trabalhar com teatro infantil, como você vê os benefícios e efeitos da exposição à cultura em suas diferentes vertentes para crianças ainda pequenas? Em que aspectos contribui na formação do indivíduo?

A criança vive num processo constante de compreensão e apreensão do mundo e o espetáculo teatral deve reforçar a sua introdução num mundo de convenções e signos onde as verdades humanas são apresentadas. Acredito que a experiência do teatro pode permear o imaginário da criança e provocar reflexões, ajudando-a a buscar respostas para as suas indagações existenciais e compreensão do cotidiano. Assim, a construção de uma subjetividade se faz no sentido de elaborar pensamentos e superar desafios, estimulando as escolhas e ações.

 

Sua vida cultural fora dos palcos, como espectador, como é? Quais seus programas e lugares favoritos para vivenciar a arte em Curitiba?

Procuro acompanhar o trabalho dos colegas que fazem arte em Curitiba. Há muita coisa boa sendo feita na cidade e a troca de saberes e experiências é sempre construtiva. Também é importante olhar para fora e se atualizar com as novidades no campo da encenação, tecnologia e gestão da arte. Sempre que estou em uma nova cidade procuro conhecer o trabalho de pesquisa e criação de algum grupo local. Curitiba tem uma cena bem movimentada, ao contrário do que muitos pensam, e oferece boas produções em espaços como o Teatro Guaíra, Novelas Curitibanas e Teatro da Caixa, além de espaços independentes como a Casa Selvática e a Cia Senhas de Teatro, onde a comunhão com o público é sempre muito potente.

 

Os aplausos de Daniel Valenzuela vão para quem?

Para todos os artistas de teatro de Curitiba. E para a minha avó, Circe.

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