Pelo Mundo 

O baralho vivo do Haiti

A jovem fotógrafa belga Alice Smeets é especialista em fotografia documental e, em 2008, quando contava apenas 21 anos, recebeu premiação da Unicef pela imagem que retrata uma menina de vestido branco que caminha em meio a porcos e lixo na capital haitiana Porto Príncipe. O registro foi eleito dentre outros 1.450 como a melhor fotografia daquele ano.

 

Com visitas frequentes ao Haiti desde 2007, Alice viveu no país por dois anos e se apaixonou pelo povo e cultura do lugar. Sob seu olhar de documentarista pôde aprender e se inspirar. A ideia para um novo projeto surgiu naturalmente.

 

A proposta consistiu numa releitura das cartas de tarot Rider-Waite, o mais conhecido tarot do mundo. Lançado originalmente em 1910, o baralho contém 78 cartas totalmente preenchidas por ilustrações simbólicas. Para dar vida aos desenhos a fotógrafa contou com a colaboração do coletivo de artistas haitianos Atis Rezistans. Numa criação conjunta, foram reinventados cenários, situações e encenações presentes nas cartas a partir de objetos cotidianos e materiais encontrados no lixo. A ressignificação bebeu da arte local, incluindo simbologias da religião Voodoo, fato que conferiu uma originalidade sensacional ao trabalho.

 

Intitulada “The Ghetto Tarot”, a série fotográfica foi ambientada nos bairros da capital Porto Príncipe em iniciativa que pretendeu afastar o imaginário repleto de clichês que se faz do Haiti, sempre ligado à pobreza, através de imagens que revelam o humor, inventividade e arte daquele povo. “O espírito do projeto The Ghetto Tarot é a inspiração de tornar algo negativo em positivo como uma brincadeira. O grupo de artistas utiliza o lixo para criar arte com as suas próprias visões que são um reflexo da beleza escondida no desperdício”, explica Alice Smeets.

 

Aqui você confere algumas das cartas originais ao lado das recriações:

[Not a valid template]

 

 

 

Comente