Trinta e poucos... 

Pelo direito de não ser mais uma garotinha

Estou prestes a completar 38 anos. Por isso, algumas reflexões são inevitáveis.

Acho que uma frase resume bem o momento: “o bom de ficar velho é que a gente fica com preguiça de sofrer”. E não é verdade?

A cada ano percebo que estou menos tolerante. Certas mesquinharias da humanidade já não me emocionam mais.

 

Mas, gente, esse negócio de “envelhecer”, de deixar de ter cara de garotinha, de perceber os cabelos brancos invadindo a sua cabeça, nunca é super fácil. Mas acho que é um direito que todos temos também.

 

“Envelhecer”, ou tornar-se experiente é um fato a ser encarado, e de frente. Sem cobranças de nós mesmos e dos outros, e sem críticas desnecessárias. O fato é que se você pretende viver muitos anos, se cuida e gosta da vida, você também vai envelhecer. A lei da gravidade é soberana. Pode apostar! E é pra todo mundo. A não ser que você tenha um trato bem feito com o Pitanguy!

 

Eu falo a minha idade pra todo mundo (eu acho muito esquisito esse papo de que mulher não pode revelar sua idade). Por que não?

Então, os “machos” podem se multiplicar por aí com suas panças gigantescas e olheiras profundas, e nós, mulheres, mães, que temos jornada dupla, tripla, de trabalho não podemos apresentar um fiozinho fora do lugar? Eu hein!

 

Vendo umas fotos de uns 15 anos atrás, percebo que a diferença de quando eu era mais novinha é, digamos, “sutil”. Eu trabalhava, mas eu tinha tempo de ir TODOS OS DIAS para a academia. E isso era sagrado. Eu ia aos sábados, inclusive (hoje isso é impossível).

 

Naquele tempo, eu não me preocupava com coisas corriqueiras que pairam sobre a minha cabeça hoje em dia como: será que a criança está respirando enquanto dorme no quarto ao lado? (Esse é o exemplo emblemático da pessoa que tem filho pequeno em casa. Insira aqui a sua paranoia também! KKKK)

 

Será que uma pessoa que pensa esse tipo de coisa está tranquila e calma (e sã) e SÓ pensa realmente em levantar muitos quilos num “leg press” pra ficar gostosa?

 

Antigamente, eu dormia noites inteiras. Jamais tive insônia aos 20 e poucos anos. Também tinha bem poucas preocupações na vida. Essa é a verdade!

 

Com o passar dos anos, outras prioridades tomaram conta. E digo com segurança: ter 30 e poucos (ou muitos) anos tem muitas vantagens. Das coisas que a maturidade nos oferta, além das gorduras localizadas impossíveis de serem eliminadas, a calma para lidar com os revezes da vida é um presente essencial e de valor incalculável.  Sim, a gente vai ficando “velha” e vai ficando mais tranquilona, mais relaxada. E a maternidade nos ensina a termos mais paciência e serenidade para lidar com o pacotão que vem junto com a criança.

A gente passa a se virar com mais facilidade. Inclusive, para encarar pessoas que cruzam o nosso caminho. Não é qualquer um que consegue abalar as nossas estruturas. Não é qualquer um que entra ou que sai da vida da gente sem pedir licença. Não é qualquer pessoa que consegue abusar do nosso tempo e da nossa “beleza”.

E também não é qualquer um que consegue passar a conversa na gente. A não ser as crianças mesmo, que nos enganam inocentemente e a gente ama, não vive sem isso nunca mais.

 

Portanto, celebremos a infância da maturidade (eu pretendo viver uns 100 anos)! Que a gente conserve essa paz por muitos e muitos anos.

 

E vocês, como estão passando pelos 30 e poucos?

 

Beatriz Azevedo Eitelwein, jornalista, 37 anos

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Já fiz de tudo, mas descobri que poderia contar histórias quando minha analista “insinuou” (após quase dois anos de sessões semanais) que adorava ouvir “minhas questões mais complexas”, pois eu as contava de maneira singular.

A mulher atendia um monte de gente, mas parecia esperar as quartas-feiras como quem aguarda o próximo capítulo do seu seriado preferido.
Se minha vida é uma novela, vou tentar contar alguns “causos” dela, mas tudo baseado em fatos inventados nos melhores filmes que eu já assisti.

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