Aplausos Entrevista 

Reencantando o mundo

 

Das artes do palco ela disserta como ninguém. Ao longo de sua carreira, segue encantando crianças e adultos através de produções fonográficas, trilhas sonoras, encenação e contação de histórias. Reconhecimento e prêmios soam quase como uma coleção: de Troféus Gralha Azul a Melhores do Ano, de Troféus Poty Lazarotto a prêmios estaduais. Rosy Greca, nossa entrevistada do mês, é personagem dourada da cultura curitibana.

 

Como foi sua entrada no mundo cultural? A paixão pelo teatro e pela música vem desde a infância?

A minha infância não foi regada a livros, histórias, música ou teatro. Porém, com 10 anos comecei a estudar violão com o Seu Romeu, na cidade de Irati e assim minha paixão por compor canções foi despertada. Ao chegar em Curitiba conheci Enéas Lour (dramaturgo, escritor, ator e diretor de teatro) que me introduziu no teatro. Aí conheci Fátima Ortiz com quem trabalho até hoje.

Posso dizer que a minha paixão por arte, de uma forma geral, começou em minha adolescência.

 

 

Como você, como arte-educadora, explica os benefícios e efeitos da exposição à cultura em suas diferentes vertentes para crianças ainda pequenas? Em que aspectos contribui na formação do indivíduo?

Contribui, essencialmente, para o desenvolvimento da sensibilidade do ser humano em geral, o qual leva o indivíduo às atitudes de cortesia, delicadeza, respeito por si e pelo próximo, solidariedade, integridade do espírito, altruísmo e sabedoria.

O fruir e o fazer artístico devem fazer parte do desenvolvimento do ser em sua trajetória rumo à sua auto-realização.

 

Atualmente, em meio a tanto acesso a tecnologias, o ser criança e o contato humano no brincar vêm se perdendo aos poucos. O teatro, a dança, a música são capazes de resgatar isso? Como?

O meio tecnológico no qual a infância contemporânea está inserida, deve incluir as nossas raízes culturais, bem como a produção artística em geral e não refutá-las, ignorá-las ou simplesmente aniquilá-las. O nosso grande desafio, portanto, é promover o equilíbrio, o diálogo criativo e salutar entre a tecnologia, as riquezas folclóricas e as manifestações artísticas.

 

A arte da contação de histórias vem sendo bastante difundida e adotada recentemente, e é impressionante como, mesmo com pouquíssimos adereços e recursos visuais, ela conquista a atenção de crianças e adultos. Como se explica isso?

Pelo poder e encantamento indissolúveis da comunicação oral. Pela necessidade imperiosa do ser humano em manter saudável e vigorosa a sua capacidade intelectual de imaginar.

 

Sua vida cultural fora dos palcos, como espectadora, como é? Quais seus programas e lugares favoritos para vivenciar a arte em Curitiba?

Gosto de ir ao teatro ou shows de música. Adoro ir ao cinema. Gosto de tomar café com amigos em uma boa livraria, precedida por uma caminhada entre as estantes de livros, principalmente nas seções de literatura, arte e educação. Gosto de caminhar pelas ruas da cidade. Gosto de curtir um bom restaurante, receber e visitar amigos pra tomar vinho e bater um bom papo. Adoro também ficar em casa, lendo, trabalhando, escutando música, fazendo comida ou limpando-a.

 

Os aplausos de Rosy Greca vão para quem?

Homenageio Fátima Ortiz e Enéas Lour, meus queridos amigos e parceiros de uma vida. Levanto para aplaudir todos os artistas do planeta por amarem e se dedicarem, não sem sacrifícios, o seu ofício de reencantar o mundo.

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