Pelo Mundo 

Reinvenção Urbana

O artista plástico Alexandre Orion é um inovador em intervenções urbanas. A cidade, para ele, não é simplesmente um painel para as ideias mas uma estrutura viva repleta de significados. Sua arte vai muito além de muros e sprays, promove relações visuais entre o espaço e os transeuntes, e bota a cabeça pra pensar.

 

O início foi no grafite, como autodidata desde os 13 anos, fazendo experimentações pelas paredes de São Paulo. Em 2001, Orion começa a trabalhar com fotografia e em 2004 gradua-se em artes visuais. De referências múltiplas, torna-se multiartista.

 

A série “Metabiótica”, produzida em 2002, apresenta uma obra que mescla ficção e realidade, estêncil e fotografia. Após espalhar várias pinturas pela cidade, Alexandre Orion, munido de uma máquina fotográfica, aguardou interações espontâneas das pessoas que passavam. O resultado do trabalho, que foi exposto ao redor do mundo, dá a sensação de que se trata de uma montagem. No entanto, o artista está questionando este caráter realista que se atribui à fotografia, ao mesmo tempo que expande a ideia de expressão pessoal, “egoísta”, do grafite.

 

Em 2006, a série “Ossário”, produzida durante 17 madrugadas no Túnel Max Feffer, em São Paulo, revoluciona a arte de rua. Orion se utiliza do grafite inverso. Sem tinta, os únicos materiais que tem nas mão são panos úmidos. A tinta já está presente, está impregnada nas grades na forma de fuligem, poluição. O artista, então, vai limpando e com isso criando desenhos de caveiras que se acumulam por mais de trezentos metros do túnel, chamando atenção para o produto da cidade: a sujeira. A intervenção resultou em problemas com a polícia e para a polícia. Afinal, limpar é crime? “O crime do grafite está na tinta, como diz a lei, ou na mensagem? (…) A polícia podia ser agressiva ou educada, mas a conclusão foi sempre a mesma. Como não havia crime, ela ia embora. A única maneira de impedir a intervenção era lavar o túnel, e assim foi.”, conta Orion.

 

A fuligem recolhida em “Ossário” forneceu matéria-prima para outro projeto chamado “Poluição sobre Muro”. Misturada com tinta acrílica incolor, a poluição serviu para pintar intervenções urbanas de grande proporção no Brasil e no mundo.

 

Alexandre Orion é um dos artistas convidados da Montenegro Produções Culturais para um bate-papo sobre o mundo das artes dentro do projeto “Conversarte”. Não perca a chance de ver alguns dos principais artistas da atualidade numa troca de ideias no Teatro Bom Jesus.

 

Você confere aqui imagens desses três impactantes trabalhos do provocador artista visual Alexandre Orion:

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