Trinta e poucos... 

Sobre tudo passar. Sobretudo, passar.

Tenho certeza de que você já teve medo ou sentiu muita tristeza por algum motivo e alguém te consolou dizendo: “isso vai passar, tenha calma.”

Sim, tudo passa. Até aquela tristeza insuportável é uma fase. Você não deve criá-la debaixo da cama, nem permitir que ela se sente no sofá, muito menos deve deixá-la correr no quintal. Ela surge e logo irá embora, entendeu?

 

A gente vive com muito medo de sofrer, de perder, de entristecer. Gente, demorei pra entender isso, mas observando as coisas que tenho vivido e as coisas que as pessoas próximas me contam, tudo muda tão rápido que daqui a pouco você nem vai se lembrar de que um dia seu coração ficou em pedaços por causa de alguém ou de algum fato que você, claro, não podia controlar.

 

Você vai sofrer um tiquinho ou muitão, mas logo essa carga será esquecida. E quem te fez alguma coisa ruim? Essa pessoa você também vai deletar. Conte com a sua inteligência, com sua capacidade de admirar outras paisagens, de olhar pra frente. Sabe aquela música: “sempre em frente, não temos tempo a perder”? É assim que o baile segue, meu caro. É assim que você vai ser feliz. Olhando pra frente.

 

Certa vez uma pessoa me disse: “esqueça quem você foi, enxergue-se hoje. Quem está ao seu lado hoje está te vendo assim.”

E não é isso?

 

Aí, quando eu me vi, quando eu finalmente me enxerguei, percebi que aquilo passou. O sofrimento passou. A tristeza não está mais dentro de casa. Ela mora em outro País e eu nunca mais vou vê-la novamente. 

 

E eu entendi também que sofrimento não brota só de dentro da gente. Muitas vezes, recebemos de presente uma remessa de merda vinda de onde menos se espera, de gente amiga, de gente que a gente queria bem. Aí é que dói de verdade, né? Aí é que é pacabá mesmo!

 

Porém, nessas horas é que essa máxima de “deixar passar” deve ser aplicada, provada e estudada. Minha melhor amiga na vida tem uma frase excelente que diz: “Deixa estar, jacaré, a lagoa há de secar!”. Este não é apenas um ditado popular, eu diria que é O ditado popular mais realista e cheio de ironia que poderiam ter inventado. Ana Cristina, você é minha guru preferida. <3

 

Então, pensa comigo: se alguém te dá um presente e, se você não aceitar aquilo, de quem é o presente?

Temos dois exemplos aí: se você oferece o melhor do que você é (e não do que você tem ou das riquezas materiais que conquistou, ok?), e o outro não quer receber, esse presente volta pra você, correto? Correto!

Ao passo que, se você se acha no direito de ser um imbecil e de oferecer isso ao mundo, e se o mundo inteiro te ignorar, a babaquice fica todinha contigo, certo?! Pois é! Se aguenta aí! #chupaessamanga

 

Estão vendo como é libertador esquecer, deixar evaporar, deixar passar? Eu sei muito bem que não é fácil. Eu sei muito bem o quanto a gente pena pensando em como tudo poderia ser diferente. Eu sei que muita gente já te disse que você é bobo por sofrer “por uma besteira dessas”. Eu sei. E justamente por saber disso, e por ter experimentado e aceitado alguns presentinhos indigestos na vida, eu te digo: deixe passar, não aceite. Esqueça. Delete. Cante pra subir. Devolva pro mar porque é oferenda. Manda praquelelugar sem dó nem piedade. E quando você se olhar no espelho, vai enxergar alguém que pode e deve escolher o que talvez possa te entristecer nessa vida. Mas, me prometa, saiba enxergar quem te quer bem e retribua da melhor maneira possível.

 

 

Beatriz Azevedo Eitelwein, jornalista, 37 anos

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Já fiz de tudo, mas descobri que poderia contar histórias quando minha analista “insinuou” (após quase dois anos de sessões semanais) que adorava ouvir “minhas questões mais complexas”, pois eu as contava de maneira singular.

A mulher atendia um monte de gente, mas parecia esperar as quartas-feiras como quem aguarda o próximo capítulo do seu seriado preferido.
Se minha vida é uma novela, vou tentar contar alguns “causos” dela, mas tudo baseado em fatos inventados nos melhores filmes que eu já assisti.

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