Aplausos 

Traços de Elifas

Convidado para o bate-papo inaugural do projeto Conversarte, o paranaense Elifas Andreato é um dos mais representativos e influentes artistas gráficos do Brasil. Nascido em Rolândia, suas ilustrações foram símbolo de resistência à ditadura militar e, em mais de 50 anos de carreira, marcaram o teatro, a música e o cinema com eternizados traços poéticos.

 

Começou como autodidata, aos 14 anos, sem qualquer curso de pintura ou desenho no currículo. A arte foi, aos poucos, o caminho a ser seguido. Quando trabalhava como aprendiz de torneiro mecânico, numa fábrica em São Paulo, pintava painéis para decorar os bailes de sábado. As linhas e cores intuitivas chamaram atenção e logo foi fazer estágio na editora Abril.

 

A partir da convivência com jornalistas que se tornariam mestres, o trabalho de Elifas tornaria-se referência em circuitos culturais e rodas intelectuais. Sem educação formal e analfabeto até a adolescência, foi professor de artes da USP.

 

Em 1969, já atuando como militante, produziu juntamente com o jornalista Carlos Azevedo o “Livro Negro da Ditadura Militar”, no qual criou a célebre ilustração de uma caveira com um quepe militar. Durante esse período, foi constantemente perseguido e seus trabalhos, de profundo teor social, foram ícones de uma geração. Como diretor de arte do jornal “Opinião” e posteriormente do “Movimento” conviveu constantemente com a censura e chegou a ser preso.

 

Na década de 70, iniciou um trabalho que marcaria época e a história da música popular brasileira. Responsável pelo projeto gráfico da coleção “História da MPB”, Elifas transformou as capas e encartes dos discos em obras de arte. Ao longo da carreira criou mais de 500 capas para álbuns dos(as) principais cantores(as) e compositores(as) do Brasil, como Paulinho da Viola, Chico Buarque, Elis Regina, Pixinguinha, Noel Rosa, entre tantos outros. Um de seus diferenciais é a intensa pesquisa: “Sempre digo que é muito difícil resumir em uma única imagem obras mais importantes que a minha. Por isso, procuro conhecer a fundo o conteúdo que me cabe ilustrar. O processo de criação é sempre muito sofrido, mas todos nós sabemos que toda e qualquer arte nasce da dor”, diz o artista.

 

No teatro, trabalhou como programador visual em peças como Ricardo III, de Shakespeare; Mortos Sem Sepultura, de Jean Paul Sartre; Ponto de Partida, de Gianfrancesco Guarnieri; Murro em Ponta de Faca, de Augusto Boal; Muro de Arrimo, de Carlos Queiroz Telles; e Navalha na Carne, de Plínio Marcos.

 

Elifas Andreato estará no palco do Teatro Bom Jesus dia 16 de julho para o Conversarte.

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