Trinta e poucos... 

Amores Improváveis

Há quanto tempo você está com alguém que te permite ser a melhor versão de si mesmo?
Se você ainda não assistiu ao filme “A delicadeza do amor” (La délicatesse – 2011), um francesinho básico, por favor, não perca tempo, assista já.
Resumidamente, e para não estragar o prazer dos meus caros leitores, o filme conta a história de Nathalie (Audrey Tautou), uma moradora de Paris que conhece o homem da sua vida num café. Nada mais óbvio. Mas, o tal amor (François – nome óbvio para um francês também) é tipo aqueles galãs incrivelmente perfeitos e ao mesmo tempo um cara com o cabelo meio bagunçado, nada musculoso e que, sobretudo, ama demais essa mulher normal!

 

Como em um bom filme francês, a mocinha não tem cabelão, nem é siliconada e muito menos usa saias minúsculas. Ela é uma advogada que trabalha num escritório daqueles bem normais também e tem colegas fofoqueiros. Tudo super normal, né?

Só que um acidente deixa a moça viúva e aí o filme tem tudo para acabar numa depressão sem fim. Nathalie mergulha no trabalho, após três anos é promovida e passa a liderar uma equipe de quatro advogados (um deles é o sueco Markus). Como em muitos casos de desilusões amorosas, ela jura nunca mais se envolver com ninguém (quem nunca?).

 

Um dia a mulher surta e tasca um beijão na boca de Markus, o loirão do suéter listrado, o anti-galã. Ele é o típico cara tímido, solitário e bonzinho. Bem o tipo de homem que sofre nas mãos das mulheres (elas não sabem o que estão perdendo).

O fato é que o beijaço faz o sujeito esquecer a senha da portaria do prédio onde mora, e faz mais: ele passa a esboçar um sorriso bobo e a se achar o cara mais desejado de Paris. É esse cataclisma que o impulsiona a ensaiar uma reaproximação e a “tascar” outro beijaço na chefe. E aí, senhores, dá-se o improvável. Depois do beijo ele sai correndo e isso a faz rir! “Você é engraçado”, ela diz aceitando um convite para jantar. O resto vocês podem assistir no filme. Vale cada segundo.

 

O que impressiona nessa história é a imprevisibilidade. Você aí, controlador de sentimentos, que não se deixa entregar ao par imperfeito que surge como um soco no estômago, você está errado. Sabe por quê? Porque o tal “par ideal” não necessariamente precisa ser aceito pela “sociedade” #selfie #perfeição #maravilha #tudocertinho.

 

No filme, assim como na vida real, isso fica muito claro. O sujeito era esquisitão, diferente, mais um daqueles caras invisíveis, mas fez aquela mulher voltar a sorrir. Ele nem entende porque ela o acha engraçado: “Mas você é. Você é uma figura”, ela diz, e isso basta! Isso basta, senhores.

Depois de fugir de Nathalie, claro, porque Markus é homem e precisa desse papelão naturalmente masculino: “Decidi não te ver mais. Vou me proteger” – Ih, Markus! Perdeu, playboy! – um amor tão forte nasceu ali, e seria improvável terminar.

 

Então, se aquele ideal de beleza venerado em capas de revistas não te basta, você não está sozinho! Nathalie, Markus e outras tantas pessoas reais, com sentimentos, com valores, sem preço, estão aí para provar que é possível, sim, ser feliz das maneiras mais improváveis que possam existir. É só a gente encontrar alguém que nos permita ser a melhor a versão de nós mesmos. Foi assim com o Markus, pode ser assim com você.

 

Portanto, entregue-se.

Beatriz Azevedo Eitelwein, jornalista, 37 anos. 

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Já fiz de tudo, mas descobri que poderia contar histórias quando minha analista “insinuou” (após quase dois anos de sessões semanais) que adorava ouvir “minhas questões mais complexas”, pois eu as contava de maneira singular.
A mulher atendia um monte de gente, mas parecia esperar as quartas-feiras como quem aguarda o próximo capítulo do seu seriado preferido.
Se minha vida é uma novela, vou tentar contar alguns “causos” dela, mas tudo baseado em fatos inventados nos melhores filmes que eu já assisti.

 

 

 

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