Aplausos Entrevista 

Veias de tinta

É sábado, o calor judia mesmo pela manhã. O ritmo atribulado de trabalho durante a semana não permitiu que nos encontrássemos antes. É sábado, o calor judia mesmo pela manhã e ainda assim ela me recebe. Editora executiva da Gazeta do Povo, Andréa Sorgenfrei faz parte da equipe que concebeu a editoria de Projetos Especiais do jornal, e hoje coordena várias frentes de publicação. Uma mulher, muitas facetas.

 

“Foi quando voltei à redação, e foi minha alegria, digo que tenho tinta correndo nas veias (risos). Amo a minha área, ela é muito dinâmica, cria-se o tempo todo. Não me imagino fazendo outra coisa.”.

Andréa Sorgenfrei

 

Como aconteceu a escolha pelo jornalismo?

O jornalismo entrou na minha vida de forma subliminar, sou do tempo das profissões “clássicas”, medicina, direito, veterinária… À época de prestar vestibular, direito era o curso que mais me atraia, justamente pelo lado de certo e errado que ele trabalha. Não havia nenhum jornalista na minha família, mas a ideia de contar histórias, de buscar os dois lados de uma verdade começou a me fascinar muito conforme eu descobria mais sobre o curso. Já gostava bastante de escrever, participei de um concurso de redação, ganhei e pensei: “agora eu achei o meu caminho”. Sempre fui muito movida pela paixão.

E o início da carreira profissional?

Entrei na PUC em 1989, quando a faculdade tinha recém retomado o curso de jornalismo. Na metade do curso, aconteceu comigo o que acho que deva acontecer com a maioria dos estudantes, e tive dificuldades financeiras pra terminar a faculdade. Quando pensei em trancar o curso, meu coordenador não permitiu e me convidou para trabalhar na própria PUC. Meu primeiro trabalho foi dentro da cúria metropolitana, e eu trabalhava para subsidiar as mensalidades.

Depois de formada, por quais veículos passou e o que traz de lição de cada um deles?

Acho que um pouco da minha base, da minha característica de atuação em várias frentes veio por ter trabalhado em áreas de associativismo, na Associação Paranaense de Supermercados e no Sindicato de Combustíveis, depois no Sebrae. Essas experiências me trouxeram grande noção de trabalho em equipe e coletividade e ajudaram muito no meu desenvolvimento profissional.

Onde começa sua história na Gazeta do Povo?

Estou completando 20 anos de Gazeta, comecei como repórter lá. Mas era uma época em que não existia exclusividade no jornal, em que tínhamos quatro, cinco empregos ao mesmo tempo. Quando foi criada a marca RPC, porque até então as empresas do grupos trabalhavam todas de forma individual, nasceu também um departamento corporativo, que viria a ser a central RPC de marketing. Esse setor precisava de uma jornalista que conhecesse as empresas mas que também tivesse um olhar empresarial, então assumi o cargo.

E quais foram os maiores desafios dessa fase nova?

Bem, eu cuidei de toda a implantação da marca RPC, do material de identidade, e fazia as comunicações interna e externa. Foi uma oportunidade muito boa, porque tive uma abrangência grande de contatos, relacionamentos, trabalhávamos muito integrados. Trabalhei ali durante três anos e meio, quando começaram a surgir muitos projetos editoriais dentro do marketing e abriu espaço para a criação da editoria de projetos. Foi quando voltei à redação, e foi minha alegria, digo que tenho tinta correndo nas veias (risos). Amo a minha área, ela é muito dinâmica, cria-se o tempo todo. Não me imagino fazendo outra coisa.

Hoje em dia, como descreve seu papel da Gazeta?

Sou gerente do núcleo Estilo de Vida, que abrange todas as revistas de periodicidade, como o Bom Gourmet e o Viver Bem. Estamos prestes a lançar um produto de casa e decoração, chamado Rause, e um de luxo. Na verdade, a maioria deles é multiplatafórmica, porque tem aplicativos, prêmios, eventos.

Com tanta atividades sob sua responsabilidade, sobra tempo para cultura? Como gosta de aproveitar seu tempo livre?

Na verdade, eu estou hoje tentando encontrar um equilíbrio entre minha vida profissional e minha vida pessoal (risos). Minha vida profissional é muita atribulada de ações, então graças a meu trabalho preciso circular muito, estar presente em muitos eventos. A contrapartida disso, a coisa que mais gosto de fazer no meu tempo livre, é me recolher! Gosto muito de cinema, frequento bastante as salas do Shopping Novo Batel, em que encontro um circuito mais alternativo, que me cativa bastante. Mas nesse momento em que estou, de desenvolvimento dos projetos do jornal, minha rotina anda bastante influenciada. Minhas leituras, por exemplo, estão focadas, ando cercada por pilhas de revistas especializadas, pesquisando sobre os assuntos. Voltei há pouco de uma viagem ao exterior com excesso de bagagem por estar trazendo todas as publicações que encontrei sobre a temática de luxo, para enriquecer nosso novo produto!

Você nasceu em Curitiba e sempre viveu aqui. Quais seus cantos culturais favoritos na cidade?

Eu sou apaixonada por Curitiba. Tenho muito orgulho da cidade, do seu desenvolvimento. Gosto muitíssimo do centro histórico, daquela região do São Francisco, passear por ali é incrível. Não tendo tantas belezas naturais, Curitiba criou marcas, como o Museu Oscar Niemeyer, que hoje é uma referência, a própria Universidade Federal, na Santos Andrade, com sua arquitetura linda. E, claro, o Teatro Guaíra, um clássico, que acabou de completar 50 anos e foi homenageado com um especial na Gazeta. Acho uma pena que, há tempos, Curitiba foi considerada uma cidade teste, poderia ter se desenvolvido muito mais culturalmente. Tínhamos terra fértil, a faca e o queijo na mão, e em algum momento perdemos essa força. Mas fico feliz por ver que há pessoas, jovens, grupos se mobilizando, expressando, para retomar isso.

Com currículo tão grande de prêmios, os seus aplausos, são para quem?

Meus aplausos vão para esses indivíduos que não se limitam com o que é simplesmente dado a eles. Para aqueles que correm, vão atrás, lutam e batalham para fazer diferente. Para quem não se conforma com modelos quadrados, pré-estabelecidos, mas que ousa se movimentar para mudar as coisas. Se você não começar por você, ninguém te segue.

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