A união faz a dobra!

Projeto cultural Jardim Sensorial leva mais de 500 alunos de escolas públicas de Curitiba ao palco da Ópera de Arame para oficinas de origami

 

Criada para surpreender e instigar a curiosidade de quem o visita com formas tridimensionais e uma explosão de cores vibrantes, a exposição Jardim Sensorial, que reúne esculturas do artista plástico e designer carioca Marcos Scorzelli na Ópera de Arame, em Curitiba, vem encantando o público com a ludicidade de suas obras. Formas geométricas primárias são transformadas pelo artista em animais e plantas divertidas, a partir de um processo artesanal de dobra e corte de chapas de aço, inspirado em técnicas de dobraduras em papel.

 

 

 

Com a finalidade de incentivar a criatividade, o desenvolvimento intelectual e a capacidade cognitiva de crianças e adolescentes, a Guanabara Produção Cultural, realizadora do projeto em parceria com o Instituto Barigüi, levou mais de 500 alunos da rede pública de ensino de Curitiba ao palco da Ópera de Arame para oficinas de origami – técnica japonesa de dobradura de papéis que inspira as esculturas de Scorzelli. A ação, que integra os desdobramentos sociais do projeto cultural Jardim Sensorial, realizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura, envolveu alunos das instituições Escola Municipal Professora Joana Raksa, Escola Municipal Coronel Durival Britto e Silva e Colégio Estadual Leôncio Correia.

Ministrada pelo artista de efeitos especiais, escultor, pintor e gravador Renato Hollanda Cavalcant, fundador do Ateliê Miniart, a oficina criativa consistiu na confecção de um origami no formato de uma borboleta por cada um dos participantes, logo após uma visita às esculturas de Scorzelli que compõem o Jardim Sensorial. Ao fim da atividade, realizada em cima do palco, todos os origamis foram fixados em um móbile semelhante a uma gaiola de metal e o objeto foi doado às escolas, onde permanecerá em exibição.

 

 

 

 

Arte milenar muito presente na atualidade, os origamis oferecem recursos para auxiliar o desenvolvimento cognitivo e motor de todos os que se dedicam a dobrar até dar a forma desejada ao papel. A arte da dobradura permite que todos dêem asas à imaginação e promove uma perfeita integração entre professores, alunos e seus colegas de turma.

 

 

 

“Eu só sabia fazer aviãozinho”, contou Nicolas Leonardo Santos Diniz, de 9 anos. Aluno da Escola Municipal Coronel Durival Britto e Silva, localizada no bairro Cajuru, Nicolas achou “mais ou menos fácil” aprender o origami de borboleta e já até escolheu o próximo bicho que deseja dobrar em papel: um jacaré. Colega de Nicolas, Isabella Barreto, de 10 anos, nunca tinha feito um origami antes e também se encantou com as possibilidades das dobraduras. “Eu achei muito legal. Até hoje, só tinha visto pessoas fazendo origamis nas séries coreanas que eu assisto e sempre tive vontade de aprender. Agora que já sei fazer uma borboleta, quero tentar fazer também origamis de outros formatos”, disse.

 

 

 

O interesse dos alunos pelos origamis durante a oficina surpreendeu até mesmo o professor, que temia não gerar muita empolgação ao propor uma atividade artesanal a crianças e adolescentes que já nascem tão conectados à tecnologia. “Eu achava que as crianças não iriam se interessar, que não dariam a menor importância, porque hoje em dia, se você quer aprender a fazer origami, basta acessar o Google ou o YouTube, que encontra vários tutoriais ensinando o passo a passo. Mas quando a gente vai para o artesanal, para o manual, para ter contato com a matéria, descobre que o limite não é o conhecimento e sim a capacidade motora de dobrar o papel, da qualidade que você vai dar para o vinco das dobras e para o alinhamento, dessa questão geométrica se materializando no papel”, explica.

É o caso de Isabelly Alexandre de Assis, 10 anos, que aprendeu sozinha a fazer origamis com vídeos disponíveis no YouTube e que, mesmo já sabendo dobrar uma borboleta de papel, aproveitou bem a oficina, ajudando os colegas com mais dificuldade e atuando ao lado de Renato quase como uma segunda professora. “Sei fazer vários formatos de origamis, os que eu mais gosto são os pássaros, como o tsuru”, contou a menina, que agora quer aprender a dobrar um coração de papel em 3D. “Esse é bem difícil”, diz ela.

 

 

Além de entrar em contato com uma forma de arte facilmente replicável em casa, as crianças e adolescentes que participaram das oficinas de origami tiveram a oportunidade de conhecer, pela primeira vez, um dos principais cartões postais de sua própria cidade – a grande maioria dos alunos nunca havia visitado a Ópera de Arame. “É um lugar incrível, que tem uma energia muito boa. As crianças, além de estarem conhecendo um espaço que elas nunca tinham visitado, estão se aproximando de um dos principais símbolos culturais da cidade e tendo a oportunidade de estarem também aprendendo, sentindo e experimentando, algo que se torna muito significativo e emblemático na vida delas”, analisa Renato.

 

 

Idealizado e realizado pela Guanabara Produção Cultural por meio da Lei de Incentivo à Cultura, o projeto cultural Jardim Sensorial tem patrocínio Tetra Pak, Grupo Barigüi, Britânia, Celepar e Da Magrinha, além de parcerias com Instituto Barigüi e Montenegro Produções.

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