Ágeis, multitarefas e capazes de absorver uma grande quantidade de informações. Falam o que pensam, ouvem uns aos outros e diluem as barreiras entre consumo e criatividade. Primeiros a virem ao mundo totalmente conectados e móveis, os jovens da Geração Z – pessoas nascidas entre 1995 e 2010 – hoje representam 24% dos brasileiros, com aproximadamente 51 milhões de pessoas.

A fim de criar um mapeamento inédito dessa juventude e traduzi-la em expressões culturais, a Montenegro Produções dedica a terceira edição do projeto cultural CONVERSARTE a desvendar esse público. Partindo de oficinas gratuitas de música, fotografia, cinema, pintura, literatura e dança, as reações desses jovens aos estímulos culturais serviram de matéria-prima para a produção artística das plataformas apresentadas nesta mostra multimídia gratuita.

O graffiti foi uma das linguagens escolhidas para interpretar os referenciais dessa geração, que cresceu com liberdade e inspiração para ser diferente. Intervenções em graffiti criadas por cinco artistas mulheres da Geração Z compõem as paredes do espaço expositivo.

Com trajetórias já estabelecidas na street art, as artistas Erika Lourenço, Fernanda Rodrigues, Lala Luz, Luciana Gnoatto e Mariê Balbinot – selecionadas sob a curadoria da produtora cultural e designer multidisciplinar Giusy de Luca, fundadora da produtora cultural Mucha Tinta – revelam traços modernos e de fácil trânsito entre as redes sociais e os muros reais.

Telas de diferentes formatos completam a exposição, com materiais audiovisuais criados especialmente para a mostra. Um elenco de cinco jovens atores e atrizes de Curitiba – Loara Gonçalves, Nathalia Garcia, Nathan Milléo Gualda, Pedro Inoue e Renet Lyon – gravou breves monólogos escritos pelo ator, dramaturgo e diretor Nathan Milléo Gualda, que tratam de questões comuns aos jovens dessa geração de forma descomplicada e bem-humorada.

As vozes da Geração Z fecham esta terceira edição do CONVERSARTE, em uma série de debates com personalidades que conversam diretamente com esse público a partir de seus trabalhos, realizados em áreas culturais diversas.

Preparem-se, os “Zs” chegaram para ficar!

Uma radiografia humanizada da Geração Z em expressões artísticas. A terceira edição do Conversarte, projeto cultural idealizado e realizado pela Montenegro Produções desde 2015, traz como conceito mapear os hábitos e comportamentos dos jovens nascidos entre 1995 e 2010 – atualmente com idades entre 10 e 25 anos –, a partir de oficinas gratuitas de cinema, música, fotografia, literatura, pintura, literatura e dança. Em 2022, as informações coletadas durante essas atividades serão traduzidas em formato de exposição de artes, documentário e debates com grandes nomes do cenário cultural nacional. 

O processo de pesquisa para compor um retrato completo das expectativas, gostos, sonhos e receios desses jovens, conhecidos como nativos digitais, teve início na última semana, com a realização de oficinas e imersões de música e cinema. Sob coordenação do jornalista Cristiano Luiz Freitas, que atua há mais de 20 anos na produção de conteúdo e projetos voltados ao público infantojuvenil, moradores da comunidade Rio Verde, em Colombo, adolescentes da rede pública de ensino municipal e pacientes atendidos pela Clínica Terapia Cognitiva A_MI, apoiadora do projeto, aprenderam na prática como criar uma música e um filme, em atividades norteadas por palavras-chave que definem a Geração Z.  

“Acredito que o Conversarte Geração Z vai trazer um mapeamento muito interessante desse público, vai fugir do estereótipo e humanizar esses jovens, porque vai ser muito mais que um retrato sobre gírias, sobre estilos, seja a moda ou a música. É realmente dar voz, identificar esses perfis e entender suas diferenças num país tão complexo quanto o Brasil”, analisa Freitas.

Ministrada por profissionais da Aimec (Academia Internacional de Música Eletrônica), a oficina de música teve como conceito a palavra-chave “conexão”. Os participantes revelaram uma intensa relação com a música, em especial a eletrônica, dançaram muito e demonstraram respeito à diversidade musical brasileira. 

Nos últimos encontros, todos tiveram a chance de “pilotar as pick-ups” e construir suas próprias músicas, a partir de elementos eletrônicos pré-gravados, como verdadeiros DJs. Para a grande maioria, foi a primeira oportunidade de criar e tocar uma música. A oficina também incluiu a produção de uma colagem, em que eles deviam expressar o significado da música em suas vidas. Inspiração, diversão, transformação, alegria, felicidade e paz foram algumas das definições que mais apareceram nos trabalhos. 

Já a oficina de cinema, ministrada pela cineasta e educadora Jessica Lorena Bremem, foi guiada pela palavra-chave “propósito”. Identificando a fluidez nos processos inventivos e a quebra de normatividades como características típicas da Geração Z, Jessica partiu da significação da palavra propósito como “o que se busca alcançar”, para propor a gravação de um filme-carta, destinado a um futuro próximo. Antes disso, os participantes fizeram o exercício de iniciação ao universo cinematográfico Minuto Lumière, que consiste em um plano contínuo com câmera fixa, em tomada única, em preto e branco e com 1 minuto de duração. “Penso que esse ‘propósito’ está muito ligado a um agenciamento de si mesmo, uma maior ação diante da vida, das relações e dos espaços que eles vivenciam. É uma geração que movimenta diversas possibilidades de experiências”, analisa a cineasta.

Para o coordenador do projeto, essas primeiras oficinas são um ponto de partida muito importante para desenhar o Conversarte Geração Z e, com certeza, será o grande diferencial do projeto. “As oficinas revelaram uma realidade de inclusão, permitiram essa troca, provocaram a questão da diversidade, de gerar essa corrente, essa conexão de tantas histórias e de tantos sentimentos diferentes. Temos histórias palpáveis, experiências reais para poder compartilhar e transformar em um grande material para a reflexão de todos, independentemente da faixa etária”, explica Freitas.

Fotos: Brunno Covello