Entretenimento em casa faz o streaming ganhar força na pandemia

Após o surto causado pelo novo coronavírus fechar cinemas e adiar lançamentos de eventos culturais e filmes, as plataformas de streaming estão ganhando ainda mais força, principalmente no mercado americano. Esses serviços podem ajudar a entreter os fãs durante períodos de isolamento e quarentena. Para fazer frente à escassez das ofertas, plataformas de streaming e canais por assinatura disponibilizaram conteúdos de graça no Brasil. Há também casos de antecipação da chegada de filmes nos catálogos.

O Globoplay disponibilizou parte de seu conteúdo para não-assinantes. Entre eles, estão mais de 20 filmes da Disney, além de 30 títulos infantis, como “Detetives do prédio azul” e “Escolas de gênios”. A plataforma também deixou disponível por 30 dias algumas séries e temporadas de “Malhação”. O foco é principalmente o público infantil, que em várias partes do mundo foi dispensado das escolas. A plataforma também recebeu mais de 50 filmes da Imovision. A Spcine, empresa de fomento ao cinema da prefeitura de São Paulo, liberou o acesso por 30 dias ao conteúdo de sua plataforma de streaming, Spcine play. O catálogo tem filmes de Zé do caixão, Hector Babenco e Tata Amaral, entre outros cineastas brasileiros, e vai transmitir shows e espetáculos da programação cultural de São Paulo simultaneamente à realização dos eventos.

A Pandora Filmes (distribuidora de filmes independentes) disponibilizou filmes que estrearam recentemente nos cinemas em várias plataformas sob demanda. No Brasil, grandes exibidoras estão fechadas, como Cinemark e Kinoplex, devido à orientação de quarentena e isolamento doméstico para conter a transmissão do vírus. Nos Estados Unidos, as duas maiores franquias de cinema, AMC e Regal, diminuíram pela metade a oferta de ingressos.

Nos Estados Unidos, filmes que já estrearam sofreram com a queda de bilheteria nos cinemas. Levando em conta o mesmo período, a bilheteria norte-americana desta semana foi a pior desde 1995. A Disney antecipou o lançamento americano de “Frozen 2” em sua nova plataforma de streaming, a Disney Plus. O filme chegou no fim de semana passado ao catálogo. Também no mercado americano, a NBC Universal anunciou que seus filmes estarão disponíveis no streaming simultaneamente ao lançamento nos cinemas que ainda funcionam, antecipando uma possível tendência. Com mais pessoas em casa, a demanda por conteúdos em streaming tende a crescer nos próximos dias. Analistas de mídia americanos preveem que as pessoas vão buscar pacotes mais amplos dos serviços que já assinam, com opções de mais telas simultâneas, por exemplo.

Muita gente pode se perguntar se os filmes adiados poderão migrar suas estreias dos cinemas para as plataformas de streaming, após uma grande safra recente de lançamentos. Destaques da temporada de premiações deste ano, “O irlandês” e “História de um casamento” saíram direto no Netflix. Grandes distribuidoras têm fôlego para negociar com as plataformas de streaming, explica Bruno Dieguez, professor de Comunicação Social da PUC-Rio. Mas são justamente esses filmes que possuem orçamento maior e, por isso, precisam da receita de bilheterias.

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