O antropofagismo de cores e formas

Minimalista e ousado, sem perder a intenção da narrativa e construção de uma história. A artista francesa Malika Favre soube canalizar de forma criativa a liberdade de inspiração das suas influências declaradas: a ilustradora Aurore de la Morinerie, os escritores surrealistas Boris Vian e Alessandro Baricco, além das bandas The Black Keys e Herman Dune. Um trabalho recheado de estilo e conceito. O trabalho de Malika Favre traz composições inusitadas e irreverentes, mesmo trabalhando intencionalmente com alguns clichês, eles são renovados e reconstruídos. Seu método consiste em desnudar os desenhos de suas camadas para alcançar o essencial. Um ritual denominado por ela mesma de “antropofágico”.

Começa por adicionar cores e formas grandes e ir controlando suas interferências, limpando, reduzindo, até que não pareça estar sobrando nenhum elemento. Coibindo os excessos e pretendendo deixar a harmonia em um lugar conciso e definido. A experiência de ter um de seus desenhos rasgado por um professor, sob a justificativa de que os inúmeros detalhes atrapalham e a culpa de tê-lo destruído ter sido atribuída a ela, pela não aprovação – um julgamento duro, foi um choque de perspectiva que orientou os seus passos criativos, a partir de então. No seu trajeto para consolidar-se no campo das artes, migrou de Paris para Londres, onde começou a produzir com uma estética, definida por ela, como arte francesa.

Menu