O sentido dos sentidos

 

Uma experiência em formato casa e jardim para falar sobre autismo por meio da arte. 

 

Uma casa inteiramente construída por meio da experiência de se olhar com empatia para o que não se compreende totalmente. Essa descrição não é meramente ilustrativa, é uma imagem viva que abraça todos os participantes da Casa dos Sentidos. Pois foi justamente do pouco conhecido universo das crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que artistas, arquitetos, designers e parceiros, desafiados pela Montenegro Produções, transpuseram paredes e construíram uma morada utilizando a arte e a sensibilidade como alicerces.

A proposta da Casa dos Sentidos é inédita e sua jornada tem sido longa, pois é uma responsabilidade grande trazer à público um recorte artístico sobre como as pessoas podem sentir de forma diferente. Portanto, antes de habitar esse espaço foi preciso mergulhar, e fundo. Os artistas André Coelho (desenho/ grafitti), Daniélle Carazzai (cerâmica), Eduardo Ramos (teatro), Guilherme Zawa (fotografia) e Verônica Fukuda (ilustração/grafitti) participaram de oficinas de artes visuais com portadores do TEA recebendo acompanhamento e orientações de especialistas do Centro de Psicomotricidade Água & Vida. Essas vivências alimentaram as criações dos cinco cômodos sensoriais da casa, desenhados em parceria com um grupo de arquitetos formado por Nonnie Fenianos, Mariana Saltini, Givago Ferentz, Guta Nagano e pelo light designer Jorge Teixeira.

 

Ampliando o conhecimento especializado e reforçando seu compromisso ético, o projeto conta também com o apoio dos maiores institutos de pesquisa sobre TEA: a Tismoo, primeira startup de medicina e testes genéticos para autismo, e o The Muotri Lab (da Universidade de San Diego, Estados Unidos), que investiga os mecanismos fundamentais para o desenvolvimento do cérebro e de transtornos como o autismo. No entanto, a Casa dos Sentidos não é um lugar de parada, uma estação de aprendizado convencional: ela é dinâmica, poética e totalmente inusitada – justamente porque não é limitante. Ela é ampla, no melhor sentido da palavra, e transita pelas emoções a partir de novos pontos de vista – reverberando bem além dos seus 120m2.

Se do lado de dentro, o convite é para explorar os sentidos da visão, da audição, do paladar e do tato percorrendo os transformados hall de entrada, sala de estar, cozinha, sala de jantar e quarto, na área externa uma nova intervenção ganha palco. O artista Marcos Scorzelli instala esculturas ora fixas ora móveis ou interativas de animais como girafas, elefantes e beija-flores em uma composição que aproxima e conversa com o propósito lúdico do projeto, que deve acontecer ainda em 2021, em Curitiba, com a perspectiva de seguir itinerante para outras capitais brasileiras.

É a partir de tantos olhares diversos que se constrói uma “casa”, seja ela física ou não. Por isso, a Casa dos Sentidos também pode ser lida como um manifesto – não só de respeito à diversidade por meio da experiência que ela oferece, mas também de um chamado interior para construção do futuro onde o amor seja o maior de todos os sentidos.

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