PAKUÁ revela cenários nacionais vistos de cima

Desde o surgimento da fotografia – com seus percursores Niépce, Daguerre, Talbot e, no Brasil, Florence –, nos foi permitido soltar um pouco os pincéis e sair pelo mundo para registrar e eternizar a beleza que antes era exclusividade dos olhos. No começo, a câmera fotográfica, era caixa de madeira – a metáfora do olho humano – e um tripé para apoiar o peso do equipamento e das chapas emulsionadas de químicos.

Com essa belezinha no ombro registramos a topografia das cidades e os costumes que não mais existem. O fogão à lenha, a carroça e a natureza ainda intocada. Um fotógrafo sozinho valia por dez pintores na hora de retratar o mundo. A humanidade se apaixonou pela fotografia de maneira unânime, fosse por admiração, terror ou superstição, nenhuma cultura deixou a foto passar despercebida. Muitos foram os que dela fizeram a extensão do seu olhar, homens e mulheres  – estas injustiçadas pela história – exploraram a paisagem e nos mostraram aquilo que lhes era querido à alma.

Depois temos George Eastman, fundador da Kodak, que transforma a câmera em um pequeno brinquedo. Ganhamos o mundo mais uma vez! A belezinha agora cabia no bolso, na mochila ou pendurada no pescoço. Com a leveza passa a ser mais ousada. Se enfia na guerra, vai do alto da montanha ao buraco profundo. A paisagem agora também é a de dentro, do cotidiano, da rua, do interior da casa, do fundo do coração.

A jornada da humanidade perdura e a tecnologia agora nos permite colocar a belezinha pra voar sem precisar de carteira de piloto. Conquistamos mais um pedaço entre a terra a nossos pés e o Sol! A fotografia aérea trouxe novas perspectivas daquilo que pensávamos ser conhecido. Ganhamos o olho mais abrangente e consciente sobre a beleza que nos cerca. Agora, enxergamos de cima, não nos limitamos mais ao chão que nossos pés tocam e, com olhar discreto de admirador, espiamos sem perturbar a natureza. Somos hoje diferentes porque nos vemos do céu.

 

Largada do evento Pedala Curitiba na Praça Nossa Sra de Salete e Av Candido de Abreu no Centro Civico – Curitiba, 09/12/2018 – Foto: Daniel Castellano / SMCS

 

 

Pensando nesta maravilhosa trajetória, apresentamos o PAKUÁ, a primeira mostra de artes visuais com registros aéreos do Brasil.

Nomeado a partir de uma brincadeira poética com o tupi-guarani, Pakuá é uma palavra inventada com a junção de pauá, tarú, auá – tudo, céu, gente –, que visa incentivar e celebrar as novas possibilidades para o olhar.

 

Guilherme Zawa, escritor, artista visual e curador do projeto PAKUÁ. 

 

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