Sustentável, exposição “Caminhos do Encantamento” transforma lixo em arte

O multiartista Gustavo Krelling recria figurinos de personagens de contos infantis com garrafas pet, papéis de bala, rolos de papel higiênico e muito mais

Artista plástico, figurinista, carnavalesco e designer de sapatos, o curitibano Gustavo Krelling tem em sua bagagem títulos e experiências com o mundo da fantasia. Eleito um dos dez melhores novos figurinistas do Brasil pelo Núcleo de Traje de Cena da Universidade de São Paulo (USP) e pela Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas em Moda, ele navega sem dificuldades do carnaval carioca – já colaborou com os acabamentos dos carros alegóricos e das fantasias dos desfiles da Imperatriz Leopoldinense – até a Quadrienal de Praga, na República Tcheca, um dos maiores eventos do setor no mundo, onde, a convite, expôs suas baianas performáticas de baldes em parceria com o cenógrafo José Miguel Marcarian.
Agora, toda essa imaginação e criatividade serão exibidas na exposição “Caminhos do Encantamento”, em julho, no Teatro Guaíra, em Curitiba (PR). Com figurinos inspirados em João e o Pé de Feijão, Cinderela, Chapeuzinho Vermelho e João e Maria – peças em cartaz no “Festival de Teatro Infantil Era uma vez, eram duas… Eram três”, realizado pela Montenegro, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e apoio da Associação dos Amigos do HC -, a mostra surpreende o público porque é construída da reciclagem de materiais.
Mangueiras de jardim, sacos de lixo, embalagens de alimentos industrializados, rolos de papel higiênico, espumas, sobras da fabricação de sapatilhas e de tecidos, garrafas pet e plásticos bolha são colados, dobrados, costurados, sobrepostos e franzidos por sua fiel costureira Glaci de Jesus. O resultado final, assim como os vestidos tradicionais das princesas, fadas e bruxas tem caimento, volume, esplendor e luxo, e ainda a função reflexiva e crítica – sobre o desperdício e a reciclagem – que toda obra de arte deve provocar em quem a observa.
O trabalho manual de construção de cada detalhe para que os materiais ganhem novos sentidos tem cola quente, fitas, linhas e arames, mas acima de tudo possui a experiência da trajetória profissional do artista. A bagagem é grande, suficiente para parecer muito simples a ação de transformar embalagens de alimentos industriais vermelhas na capa da Chapeuzinho, por exemplo.
“Mas a capa possui uma estrutura tão semelhante ao tecido, com caimento e dobras organizadas de tal maneira que de longe parece ser verdadeiramente um tecido luxuoso. No fim das contas é plástico, e feita de produtos industrializados cujo destino mais comum, porém fatal, seria a natureza. Não há o lixo”, define Gustavo.

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