Terceira edição do Conversarte inicia “mapeamento” da Geração Z

A partir de oficinas culturais gratuitas, projeto vai compilar os hábitos e comportamentos dos jovens nascidos entre 1995 e 2010, dados que serão transformados em exposição de artes, documentário e debates temáticos 

Uma radiografia humanizada da Geração Z em expressões artísticas. A terceira edição do Conversarte, projeto cultural idealizado e realizado pela Montenegro Produções desde 2015, traz como conceito mapear os hábitos e comportamentos dos jovens nascidos entre 1995 e 2010 – atualmente com idades entre 10 e 25 anos –, a partir de oficinas gratuitas de cinema, música, fotografia, literatura, pintura, literatura e dança. Em 2022, as informações coletadas durante essas atividades serão traduzidas em formato de exposição de artes, documentário e debates com grandes nomes do cenário cultural nacional. 

O processo de pesquisa para compor um retrato completo das expectativas, gostos, sonhos e receios desses jovens, conhecidos como nativos digitais, teve início na última semana, com a realização de oficinas e imersões de música e cinema. Sob coordenação do jornalista Cristiano Luiz Freitas, que atua há mais de 20 anos na produção de conteúdo e projetos voltados ao público infantojuvenil, moradores da comunidade Rio Verde, em Colombo, adolescentes da rede pública de ensino municipal e pacientes atendidos pela Clínica Terapia Cognitiva A_MI, apoiadora do projeto, aprenderam na prática como criar uma música e um filme, em atividades norteadas por palavras-chave que definem a Geração Z.  

“Acredito que o Conversarte Geração Z vai trazer um mapeamento muito interessante desse público, vai fugir do estereótipo e humanizar esses jovens, porque vai ser muito mais que um retrato sobre gírias, sobre estilos, seja a moda ou a música. É realmente dar voz, identificar esses perfis e entender suas diferenças num país tão complexo quanto o Brasil”, analisa Freitas.

Na prática

Ministrada por profissionais da Aimec (Academia Internacional de Música Eletrônica), a oficina de música teve como conceito a palavra-chave “conexão”. Os participantes revelaram uma intensa relação com a música, em especial a eletrônica, dançaram muito e demonstraram respeito à diversidade musical brasileira. Nos últimos encontros, todos tiveram a chance de “pilotar as pick-ups” e construir suas próprias músicas, a partir de elementos eletrônicos pré-gravados, como verdadeiros DJs. Para a grande maioria, foi a primeira oportunidade de criar e tocar uma música. A oficina também incluiu a produção de uma colagem, em que eles deviam expressar o significado da música em suas vidas. Inspiração, diversão, transformação, alegria, felicidade e paz foram algumas das definições que mais apareceram nos trabalhos. 

Já a oficina de cinema, ministrada pela cineasta e educadora Jessica Lorena Bremem, foi guiada pela palavra-chave “propósito”. Identificando a fluidez nos processos inventivos e a quebra de normatividades como características típicas da Geração Z, Jessica partiu da significação da palavra propósito como “o que se busca alcançar”, para propor a gravação de um filme-carta, destinado a um futuro próximo. Antes disso, os participantes fizeram o exercício de iniciação ao universo cinematográfico Minuto Lumière, que consiste em um plano contínuo com câmera fixa, em tomada única, em preto e branco e com 1 minuto de duração. “Penso que esse ‘propósito’ está muito ligado a um agenciamento de si mesmo, uma maior ação diante da vida, das relações e dos espaços que eles vivenciam. É uma geração que movimenta diversas possibilidades de experiências”, analisa a cineasta.

Para o coordenador do projeto, essas primeiras oficinas são um ponto de partida muito importante para desenhar o Conversarte Geração Z e, com certeza, será o grande diferencial do projeto. “As oficinas revelaram uma realidade de inclusão, permitiram essa troca, provocaram a questão da diversidade, de gerar essa corrente, essa conexão de tantas histórias e de tantos sentimentos diferentes. Temos histórias palpáveis, experiências reais para poder compartilhar e transformar em um grande material para a reflexão de todos, independentemente da faixa etária”, explica Freitas.